Troca de Experiências por Eric Cozza1
O Batimat – Salão Internacional da Construção –, realizado em novembro do ano passado, em Paris, na França, não foi apenas uma oportunidade para conhecer novos produtos, sistemas e tecnologias construtivas. A despeito dos 2758 expositores e da gigantesca variedade de componentes ali expostos, a feira também serviu como ponto de encontro para profissionais da indústria da construção civil em todo o mundo. Ali, todos puderam interagir, mesmo que os idiomas fossem diferentes e houvesse dificuldade na comunicação. Afinal, a linguagem mais importante em tais oportunidades é a técnica. E nessa língua os brasileiros já não estão mais – como acontecia há cerca de 10 anos – no nível intermediário. Pelo contrário, no idioma da tecnologia, o construtor nacional está bem avançado.
Se não há mais tanto com o que se surpreender com os gringos, por que ir ao Batimat? Só para passear, como ironicamente dizem os mais pragmáticos? Nada disso. Arrisco-me a apontar algumas motivações: localizar soluções que possam ser empregadas ou adaptadas à nossa realidade, identificar tendências internacionais e trocar experiências com profissionais estrangeiros e até brasileiros. Isso mesmo: brasileiros. Em primeiro lugar, porque o nosso país é muito grande e, dificilmente, um construtor paranaense tem a oportunidade de conversar pessoalmente com um colega alagoano. Também porque o cotidiano dos profissionais é atribulado e fica cada vez mais difícil arrumar tempo para coisas que não se resumam a tocar as obras e suar por uma margem mínima. Em uma viagem como essa, costuma ser diferente. As pessoas estão mais abertas e relaxadas, o que abre espaço para a reflexão e o intercâmbio de idéias e informações.
É por isso que viagens técnicas, sejam internacionais ou nacionais, são tão importantes. E é extremamente louvável que empresas fornecedoras, conscientes dessa necessidade, organizem grupos nesse sentido. Quando os participantes da Missão Multidoor terão, de novo, a oportunidade de visitar, em menos de uma semana, a maior feira de construção do mundo (Batimat), uma das maiores construtoras do planeta (Bouygues) e o principal centro europeu de pesquisa, consultoria e desenvolvimento tecnológico para a construção (o CSTB)? Mais do que isso: quando um grupo tão significativo de empresas e profissionais estará junto de novo, com tempo livre para trocar experiências? Vale a pena pensar na importância disso.
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